Desde outubro do ano passado, a pesquisa, conduzida pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel, já realizou mais de 2 mil entrevistas com sobreviventes da catástrofe
Há mais de seis meses, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) vem conduzindo uma pesquisa inédita, a fim de avaliar os efeitos das enchentes de maio de 2024 na saúde mental e na ecoansiedade – angústia e preocupação excessiva relacionadas às mudanças climáticas – de jovens nascidos há 21 anos. O estudo é uma nova etapa da Coorte de 2004, que acompanha a saúde e o desenvolvimento de indivíduos desde o nascimento. Com o apoio da comunidade local, a pesquisa, desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, busca compreender as consequências psicológicas da tragédia.
Desastre climático e seus reflexos
Em 2024, Pelotas, dentre tantos outros municípios gaúchos, enfrentou uma das maiores enchentes da história do estado, afetando mais de 15 mil residências, segundo a prefeitura. O evento foi responsável por um cenário de incerteza e medo, especialmente entre jovens que já enfrentavam desafios psíquicos.
Durante os momentos mais críticos, a cidade viu-se mobilizada em mutirões de resgate, abrigos emergenciais e redes de solidariedade. Contudo, mesmo passados meses do evento, os efeitos emocionais persistem, sobretudo entre os mais jovens. É nesse cenário que a pesquisa encontra espaço para investigar não apenas o trauma imediato, mas transformações sutis. De acordo com a pesquisadora e coordenadora da Coorte 2004, Luciana Tovo, o estudo conta com a oportunidade única de comparar indicadores relacionados à saúde mental antes e depois da enchente.

Ilustração: Tokokoo via: Envato
Metodologia
Desde outubro de 2024, foram realizadas 2.784 entrevistas com jovens (47% meninos e 53% meninas) e 2.767 com suas mães, com o objetivo de alcançar 3.500 entrevistas com cada grupo. Segundo Luciana, os dados preliminares indicam que 31% dos jovens viviam em áreas de risco durante a enchente e, enquanto 9% tiveram suas residências atingidas, 17% precisaram deixar suas casas. Além disso, 3% perderam familiares ou amigos próximos, e 12% relataram que sua rotina foi drasticamente afetada pelo desastre.
Foco na saúde mental e ecoansiedade
O estudo avalia os impactos das enchentes na saúde mental dos jovens, considerando sintomas de transtorno de estresse pós-traumático, depressão e ansiedade. Além disso, a pesquisa investiga a ecoansiedade, caracterizada pela preocupação crescente com o futuro ambiental e a capacidade de lidar com as mudanças climáticas. Segundo Luciana Tovo, os pesquisadores envolvidos também analisam fatores psicológicos e familiares de risco e resiliência, bem como as consequências da exposição às enchentes sobre atitudes pró-ambientais e comportamentos individuais.
Para além da saúde mental, os entrevistados também vêm sendo questionados sobre determinadas práticas sustentáveis que incluem: consumo de produtos com menos embalagens, desperdício de comida, uso de recursos naturais (água e eletricidade) e separação de lixo doméstico. O estudo afirma que, para diversos desses itens, há modificações no comportamento dos jovens após as enchentes.
Participação e engajamento da comunidade
A participação dos jovens nascidos em 2004 em Pelotas é fundamental para o sucesso da pesquisa e, aqueles que ainda não foram convocados, podem entrar em contato com os responsáveis através do WhatsApp (53) 98400-0426 e das redes sociais: Instagram @coorte2004 e Facebook Coorte 2004.
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