Programação incluiu oficina de checagem de fatos, GTs e discussões sobre saúde mental dos jovens.
O 2° Seminário de Desinformação e Saúde Mental deu sequência às atividades nesta quarta-feira (14), na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O segundo dia de evento contou com a oficina prática de checagem de fatos, da AletheiaFact.org, e a apresentação dos Grupos de Trabalho, além do relato de experiência do projeto Conecta Saúde Mental e a mesa temática “Saúde Mental dos jovens na era da plataformas”. Com o tema “Desinformação, Plataformas e Saúde Mental”, o evento iniciou na última terça-feira (13) e segue até quinta-feira (15).

Estudantes de Psicologia e Jornalismo participam da Oficina de checagem de fatos da AletheiaFact.org | Foto: Luiza Kaiper
A AletheiaFact.org realizou o segundo encontro da oficina de checagem de fatos durante a manhã. A atividade, iniciada no primeiro dia de evento, teve como objetivo a verificação prática de informações circuladas nas plataformas digitais.
O estudante de Psicologia e participante do seminário, Moacir Bauer, destacou a importância de momentos como esse diante da banalização de conteúdos da psicologia nas redes sociais. Para ele, é necessário buscar o caminho da apuração para enfrentar o recebimento de informações falsas.
A plataforma de fact-checking da Aletheia foi utilizada na oficina, com foco no combate à desinformação e a democratização da checagem de fatos. O projeto busca descentralizar o combate às notícias falsas e fornecer autonomia para que cidadãos comuns, estudantes e universidades possam monitorar e investigar informações falsas por conta própria.

Grupos de trabalho promovem debates sobre desinformação e saúde mental durante a programação de apresentação de pesquisas do seminário. | Foto: Luiza Kaiper
À tarde, ocorreram os encontros dos Grupos de Trabalhos (GTs) de forma presencial, na UFSM, e via Google Meet. Ao todo, foram apresentados 20 trabalhos. Os grupos tiveram as seguintes temáticas:
- GT 1 – Educação, juventudes e práticas de cuidado em saúde mental;
- GT 2 – Plataformas digitais, subjetividades e saúde mental
- GT 3 – Masculinidades, identidades e sofrimento psíquico:
- GT 4 – Comunicação midiática, credibilidade e saúde mental

Grupo de trabalho Masculinidades, identidades e sofrimento psíquico via Google Meet
A estudante de Psicologia Cecília Silveira Gonçalves apresentou o trabalho “Existe uma Infância Universal?”, que tratou das diferentes juventudes e a pluralidade das concepções de infância. “Eu gostei muito desse GT justamente pela troca que a gente teve. […] E foi muito esclarecedor para mim também ouvir os outros trabalhos. Gostei muito do debate, do espaço de conversa.”, enfatizou.
Para a professora Luciana Carvalho, coordenadora do evento, as temáticas abordadas nos trabalhos ajudam a pensar sobre diversidade no meio acadêmico. Ela enxerga a falta de debate sobre a inclusão de pessoas com transtornos mentais e a necessidade de enfrentar a discriminação em sala de aula. “Quando a gente fala de diversidade, a gente tende a pensar em gêneros e raça, mas a questão do vínculo, das diferentes personalidades e transtornos, às vezes não entra nesse debate sobre inclusão”, pontuou.
“A partir do momento que a gente discute isso dentro das universidades, projetos de extensão acabam levando isso para fora”, acrescentou Milena Boeff Brabo, bióloga e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação e Ciências da UFSM. Segundo ela, a discussão sobre educação, tecnologia e saúde mental ultrapassa a academia e chega ao contexto social de cada estudante universitário. Milena parafraseou a frase que viu nas redes sociais: eu entrei no mestrado não para sair do meu bairro, mas para que meu bairro aparecesse na minha pesquisa.

Participantes conversam durante GT de Educação, juventudes e práticas de cuidado em saúde mental | Foto: Nicolle Seixas
No período da noite, foi realizado um relato de experiência sobre o projeto UFSM Conecta Saúde Mental, voltado à promoção do bem-estar e cuidado contínuo com a comunidade acadêmica. A Psicóloga Amanda Schreiner Pereira e a coordenadora do projeto Priscila Marques Júlioda Rosa explicaram o funcionamento do projeto e as situações enfrentadas em momentos críticos, como a pandemia da Covid-19 e as enchentes que afetaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Às 19h, a mesa temática “Saúde Mental dos jovens na era das plataformas” finalizou a programação do dia. A apresentação foi da psicóloga e professora do curso de Psicologia da Ulbra Genara Jardim Mello, e do professor de Filosofia e estudante de Psicologia Pablo Knerin. Ambos integram o Laboratório de Avaliação e Clínica Cognitiva da UFSM. Em sua fala, Genara ressaltou que a ideia do pertencer não é um luxo psicológico, mas uma necessidade básica, tanto quanto comer e dormir. De acordo com ela, o ser humano precisa de conexões. A palestra discutiu como as redes sociais e o imediatismo tecnológico distorcem a autoestima de jovens e transformam padrões estéticos irreais em um sentimento de rejeição.
Texto: Nicolle Seixas – estudante de jornalismo




