O último dia do Seminário de Desinformação e Saúde Mental contou com capacitações práticas sobre mídia e produção audiovisual, apresentações de trabalhos, relato do CVV e mesa temática de encerramento
O Seminário de Desinformação e Saúde Mental (DesinfoMente) encerrou suas atividades nesta quinta-feira (15 de outubro), na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com uma programação dedicada a oficinas práticas, apresentações de pesquisas nos Grupos de Trabalho (GTs), relato de experiência comunitária e mesa temática de encerramento. Com o tema “Desinformação, Plataformas e Saúde Mental”, o evento promovido pelo Projeto de Extensão VerdadeiraMente e pelo Grupo de Pesquisa Desinfomídia reuniu estudantes, pesquisadores e profissionais no Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH) e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) ao longo de três dias.
Oficinas abordam psicoeducação, educação midiática e produção audiovisual em saúde
No período da manhã, das 8h30 às 11h30, a programação contou com três oficinas simultâneas no Prédio 74. A oficina “Desvendando mitos: psicoeducação como estratégia de cuidado em saúde mental” foi ministrada pelo estudante de Psicologia João Pedro Guidalli Braga (UFSM).

Oficina “Desvendando mitos: psicoeducação como estratégia de cuidado em saúde mental” | Foto: Nicole Seixas
Em paralelo, a atividade “Educação Midiática e Saúde Mental na Era das Plataformas Digitais” foi conduzida por bolsistas e voluntários do Projeto VerdadeiraMente, os estudantes de Jornalismo Luiza Ventura, Isadora Bortolotto e Renan Silveira, e de Psicologia Luana Dias e Maria Antônia Rossato. A dinâmica funcionou como uma roda de conversa focada nos perigos do autodiagnóstico nas redes, nos mecanismos da desinformação sobre saúde mental e na compreensão da desinformação como um negócio lucrativo.
Para a ministrante e estudante de Psicologia Luana Dias, a oficina permitiu construir reflexões aplicadas com os participantes. “Conseguir pensar de uma maneira um pouco mais prática sobre como pensar desinformação e saúde mental, principalmente na questão das redes sociais e mídias sociais numa perspectiva social, foi muito interessante”, destacou. O participante e estudante do 2º semestre de Jornalismo, Fabiano dos Santos, também avaliou a atividade de forma positiva. “Aprendi muito sobre a questão dos cinco D’s da desinformação, o fenômeno do FOMO e a deterioração da saúde mental entre os jovens. Foi uma palestra muito pertinente que ajudou a entender como essas dinâmicas funcionam”, afirmou.

Oficina de “Educação Midiática e Saúde Mental na Era das Plataformas Digitais” | Foto: Gabriele Mendes
A terceira oficina da manhã abordou a “Captação e Edição de vídeo mobile para divulgação científica em saúde”, ministrada pelo publicitário e mestrando João Davi (UFSM) e pela jornalista e mestre Alexia Saner (Unipampa), sócios do A2 Estúdio Criativo. A capacitação destacou o impacto da inteligência artificial na criação de roteiros, a responsabilidade do emissor e o alerta de que tendências das redes não precisam ser reproduzidas sem contexto.
A ministrante Alexia Saner ressaltou que a estruturação do roteiro é indispensável para garantir a credibilidade do conteúdo. “O roteiro é indispensável para que o conteúdo seja verificado, passe por uma apuração e seja confiável para quem vai assistir. A desinformação não é opinião; ela precisa ser tratada com responsabilidade e regulada”, enfatizou.
Apresentação de trabalhos debate pesquisas sobre mídias e desenvolvimento psicossocial
Durante a tarde, das 14h às 17h, ocorrem os encontros dos Grupos de Trabalho (GTs) para a apresentação de pesquisas acadêmicas. Entre os estudos apresentados esteve o trabalho “Psicopatia infantojuvenil na mídia digital brasileira: sinais e discurso de irrecuperabilidade”, de autoria de Clara Machado Mortari.
A pesquisadora destacou a importância de refletir sobre a abordagem midiática dos transtornos de personalidade. “É interessante pensar na forma como a mensagem é comunicada e como o público a recebe, entendendo o quanto isso pode impactar no desenvolvimento psicossocial de crianças e adolescentes”, pontuou Clara.
Relato de experiência do CVV destaca a escuta empática e a valorização da vida
No início da noite, às 17h30, o Auditório do INPE recebeu o relato de experiência “CVV na Comunidade”, apresentado por Jorge André Loureiro Brandão, voluntário, porta-voz e fundador do Centro de Valorização da Vida (CVV) em Santa Maria.
Durante a atividade, Jorge Brandão enfatizou a relevância da escuta empática e lembrou que pedir ajuda é um gesto de coragem diante do sofrimento psíquico. Ele abordou os quatro pilares do equilíbrio humano — físico, mental, social e espiritual — e alertou para as ilusões de felicidade vendidas no ambiente digital. Ao ressaltar os 64 anos de atuação do CVV pelo telefone gratuito 188, o palestrante concluiu citando Paulo Freire: “Esperançar não é esperar, esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir”.

Representante do CVV Santa Maria realiza palestra durante Seminário | Foto: Maria Luisa Gotuzzo
Mesa de encerramento discute o papel do jornalismo e da ciência no combate à desinformação
A programação do seminário foi finalizada com a mesa temática “O papel da ciência no enfrentamento da desinformação”, mediada pela professora do curso de Jornalismo da UFSM e coordenadora do evento, Luciana Carvalho. O painel reuniu as pesquisadoras Mellanie Fontes-Dutra, professora da Escola de Saúde da Unisinos, e Taís Seibt, professora de Jornalismo da Unisinos.
Em sua palestra intitulada “Fofocando sobre ciência e batendo na desinformação”, Mellanie Fontes-Dutra apresentou estratégias para aproximação da ciência com o público nas redes sociais, ressaltando o uso do storytelling para engajar as pessoas na compreensão de dados científicos. Na sequência, Taís Seibt ministrou a fala “Seu feed faz mal à saúde? Porque evitar notícias não é o melhor caminho”, abordando técnicas de fact-checking, verificação de fontes e a importância do prebunking. A pesquisadora defendeu que se afastar do consumo de notícias não soluciona o estresse informacional e reafirmou a centralidade da informação jornalística de qualidade.
Para a estudante do 6º semestre de Jornalismo da UFSM, Fabiola Nicoletti, a presença de pesquisadores no evento fortalece o aprendizado acadêmico e a prática profissional. “Ter a oportunidade de discutir presencialmente com pesquisadores que usamos nos nossos trabalhos é de suma importância. Fazer um jornalismo de qualidade e adotar o hábito da checagem de fatos no dia a dia é fundamental para combater a desinformação em saúde mental”, concluiu.
Texto: Gabriele Mendes, estudante de jornalismo.




