Especialistas convidados pelo Verdadeiramente reforçam a importância de uma cobertura ética e sem sensacionalismo.
O Grupo de Pesquisa Desinfomídia promoveu, no dia 7 de outubro, a palestra “O suicídio na mídia: como noticiar de modo responsável”, iniciativa do projeto de extensão Verdadeiramente em parceria com o curso de Jornalismo da UFSM e o Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul (SindJoRS). O encontro, realizado de forma online, reuniu estudantes, profissionais da comunicação e professores para debater práticas mais éticas e cuidadosas no tratamento jornalístico do tema.
Na abertura, o editor do Núcleo Criativo, o jornalista Rômulo Tondo, e a coordenadora do projeto, professora Luciana Carvalho, destacaram que o cuidado com a saúde mental precisa ser contínuo e não restrito às ações do Setembro Amarelo. Segundo eles, é fundamental que o compromisso ético com a vida esteja presente no cotidiano da comunicação.
Foram convidados a professora Larissa Morais, da Universidade Federal Fluminense (UFF), e o assessor de comunicação do Ministério da Saúde, Antônio Vianna, ambos vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano (UFF). Os pesquisadores integraram uma grupo de pesquisa emergente com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ).
Durante a palestra, Vianna apresentou dados do Ministério da Saúde. Em 2021, foram registrados 15.507 suicídios no Brasil. A cada dia, em média, três crianças morrem por esse motivo. Entre jovens de 15 a 19 anos, os casos cresceram 85% entre 2012 e 2021. Na faixa de 10 a 14 anos, o aumento foi de 15%. O suicídio já é a terceira principal causa de morte entre adolescentes, e as internações por tentativas aumentaram 25% desde 2014.
Diante desse cenário, Vianna ressaltou que o jornalismo pode atuar como agente de cuidado. “É preciso refletir sobre como fazer matérias que ajudem os leitores, e não que atrapalhem”, afirmou, reforçando a necessidade de evitar abordagens sensacionalistas e alarmistas.
Larissa lembrou que, historicamente, o suicídio já foi tratado pela imprensa de maneira invasiva e sem responsabilidade, com divulgação de detalhes e até listas de vítimas. Para ela, a mudança de postura é fundamental. “Ao evitar o sensacionalismo, não se heroíza quem comete suicídio e se respeita as famílias e a vida”, destacou.
Os palestrantes apresentaram ainda recomendações baseadas em documentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Entre as principais orientações estão:
• Dar visibilidade a histórias de pessoas que buscaram apoio e se recuperaram.
• Evitar repetição ou detalhamento excessivo de casos.
• Não publicar imagens relacionadas ao ato ou à vítima.
• Ampliar a abordagem para diferentes editorias, como saúde e comportamento.
• Ouvir especialistas qualificados.
• Indicar serviços de apoio, como o Centro de Valorização da Vida (CVV), disponível pelo telefone 188.
O encontro reforçou que a comunicação tem papel central na prevenção e pode contribuir para salvar vidas quando orientada pelo cuidado, pela precisão e pela responsabilidade social.
Mais informações sobre o tema podem ser encontradas na Cartilha Juventude e Suicídio, organizada por Denise Tavares, Larissa Morais e Antonio Vianna, e em trabalhos desenvolvidos pelo projeto Multis/UFF, incluindo artigo publicado na Revista Comunicação, Mídia e Consumo (ESPM).




