Encontro apresentou estratégias para reconhecer conteúdos duvidosos, verificar fontes e evitar o compartilhamento impulsivo.

Como identificar uma informação duvidosa? Em quais fontes podemos confiar? E o que fazer antes de compartilhar um conteúdo nas redes sociais? Essas foram algumas das questões discutidas durante a atividade promovida pelo projeto de extensão VerdadeiraMente, no sábado, 26 de setembro, na Associação Espírita Paz, Luz e Caridade, em Santa Maria.

A ação marcou a segunda atividade de extensão do VerdadeiraMente na Associação Espírita Paz, Luz e Caridade. A primeira foi realizada em junho e abordou a relação entre saúde mental e espiritualidade, com discussões sobre ansiedade, depressão, preconceitos relacionados ao sofrimento mental e a importância de buscar ajuda profissional. Desta vez, o encontro teve como foco a desinformação e a forma como as pessoas se relacionam com os conteúdos que recebem diariamente, especialmente por meio das redes sociais e de aplicativos de mensagens. A conversa foi conduzida pelos bolsistas  do projeto: a acadêmica de Psicologia Maria Antônia Rossato e o acadêmico de Jornalismo Renan Silveira.

Participantes acompanham atividade do VerdadeiraMente sobre desinformação.

No início do encontro, os participantes foram convidados a refletir sobre os próprios hábitos de informação: quais meios utilizam para acompanhar notícias; em quais fontes mais confiam e se costumam buscar outras referências quando recebem uma informação que desperta dúvida.

Para Roselia Emanuele Fernandes Nunes, frequentadora da Associação Espírita Paz, Luz e Caridade, a atividade evidenciou diferentes maneiras de lidar com as informações recebidas. “O que me surpreendeu foi perceber diferentes maneiras de lidar com as notícias. Algumas pessoas procuram ler, pesquisar e ir atrás das fontes antes de passar uma informação adiante”, relata. 

A partir das respostas, a atividade abordou diferentes formas pelas quais a desinformação pode circular no ambiente digital. Um dos pontos discutidos foi que um conteúdo enganoso nem sempre é totalmente falso. Informações verdadeiras podem aparecer fora de contexto, enquanto títulos podem exagerar ou distorcer o conteúdo de uma publicação. Também foram abordados casos de opiniões apresentadas como fatos, publicidade confundida com informação, imagens ou vídeos manipulados e conteúdos antigos que voltam a circular como se fossem atuais.

Para Maria Antônia Rossato, a atividade também chamou atenção para as mudanças provocadas pelo avanço da inteligência artificial na produção e circulação de conteúdos. “Hoje ficou muito mais fácil criar e compartilhar conteúdos (falsos) que parecem reais”, afirma. Segundo ela, esse cenário reforça a necessidade de desenvolver um olhar crítico, principalmente diante de informações relacionadas à saúde e à saúde mental.

Já Renan Silveira destacou a interação entre pessoas de diferentes idades durante o encontro. “A troca de vivências ajuda a compreender como a desinformação afeta diferentes gerações”, afirma. Para o acadêmico, esse diálogo também contribui para reforçar a importância de avaliar de forma mais crítica as informações recebidas no dia a dia.

Durante a conversa, foram apresentados exemplos de mensagens que utilizam expressões como “urgente”, “compartilhe antes que apaguem” ou “ninguém está falando sobre isso” para chamar a atenção e provocar emoções como medo, indignação ou surpresa. A proposta foi mostrar que esse tipo de linguagem pode servir como sinal de alerta e que uma reação emocional intensa, por si só, não determina se uma informação é verdadeira ou falsa.

Participante observa material informativo distribuído durante a ação.

Os participantes ainda conversaram sobre a importância de verificar quem publicou determinada informação; observar a data; procurar a fonte original e comparar o conteúdo com outras fontes. A atividade também propôs uma reflexão sobre a diferença entre fatos e opiniões e sobre a tendência de acreditar com mais facilidade em conteúdos que confirmam ideias com as quais já concordamos.

Como ferramenta prática para lidar com as informações recebidas no dia a dia, a equipe apresentou os chamados 5 Ds: desacelere, desconfie, descubra, diversifique e dialogue. A proposta envolve evitar o compartilhamento imediato, observar sinais de alerta, procurar a origem das informações, comparar diferentes fontes e manter o diálogo com pessoas que apresentem outras perspectivas.

Mais do que classificar uma publicação apenas como verdadeira ou falsa, a atividade reforçou a importância de questionar de onde determinada informação surgiu, quando foi produzida, qual é o seu contexto e o que os dados apresentados realmente permitem concluir.

Mais do que classificar uma publicação como verdadeira ou falsa, a atividade reforçou a importância de perguntar de onde veio a informação, quando foi produzida, em que contexto circula e o que os dados apresentados realmente permitem concluir.