Fala da professora Maria Denise Schimith, do departamento de Enfermagem da UFSM, contou com a participação de 32 profissionais de 4 municípios.
Na segunda-feira (18/05), o projeto VerdadeiraMente realizou sua primeira ação extensionista em parceria com o ‘Curso de Capacitação em Estratégias de Proteção, Prevenção e Manutenção da Saúde’, do IFFar Júlio de Castilhos, voltado a agentes comunitários da Estratégia de Saúde da Família (ESF) da região. A atividade, realizada online, consistiu em um bate-papo conduzido pela professora Maria Denise Schimith, do Departamento de Enfermagem e atual diretora do Centro de Ciências da Saúde da UFSM, que atua como consultora do VerdadeiraMente.
Como tema, foi abordado ‘O papel do Agente Comunitário de Saúde na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)’, temática apontada pelos próprios agentes durante uma escuta realizada no mês de abril. A docente iniciou com um histórico da RAPS, desde a Reforma Psiquiátrica, que deu início ao encerramento dos manicômios e à luta pelo tratamento da saúde mental em liberdade, até a instituição da Rede, em 2011. Na sequência, Maria Denise apresentou a estrutura e os fluxos de atendimento da RAPS nos municípios, esclarecendo o papel de cada profissional de saúde.
A conversa também trouxe a experiência dos participantes, a maioria mulheres que atuam em territórios dos municípios de Tupanciretã, Júlio de Castilhos, Itaara e São Pedro do Sul. A agente comunitária Olga Castagnet, do distrito de Val de Serra, área pertencente a Júlio de Castilhos, foi uma das que havia solicitado o conteúdo sobre saúde mental por se preocupar com casos de suicídio ocorridos no passado. “A gente estava muito abalada, e as duas psicólogas da unidade tinham acabado de sair. Essa conversa é importante, justamente, para saber como identificar”, desabafa.

Capacitação é realizada por meio de uma parceria entre o projeto VerdadeiraMente e o projeto de extensão do IFFar – Campus Júlio de Castilhos.
De acordo com Maria Denise, existe a necessidade de comunicação entre os diferentes serviços de saúde mental. “A gente tem uma teia horizontal que nos diz que precisamos nos comunicar e inserir as pessoas em toda essa rede de atenção. Se a gente não se comunicar, o usuário acaba tendo seu atendimento totalmente fragmentado, e isso não ajuda de maneira alguma”, explica.
Ao final, a professora enfatizou o que significa para ela trabalhar com esse público: “Mais do que compartilhar conhecimento, a gente tem essa oportunidade de ouvir as experiências, ver a maturidade, um profissional que tem uma responsabilidade imensa. Os agentes comunitários são essenciais no SUS, e isso mostra o quanto a universidade pode contribuir também para essa profissão”, avalia.
Próximas ações
A ação faz parte de um ciclo iniciado após escuta realizada pelo VerdadeiraMente no dia 27 de abril, quando as agentes manifestaram três demandas: o papel dos agentes comunitários na RAPS (atendida na capacitação de segunda-feira); saúde mental dos próprios agentes, a ser abordada no dia 19 de junho com os psicólogos Clóvis Gomes Panta e Alana Goettems de Almeida, indicados pela consultora Clarissa Tochetto, docente da Psicologia da UFSM; e desinformação em saúde, a ser ministrada por estudantes de Jornalismo sob orientação da professora Luciana Carvalho, do curso de Jornalismo e coordenadora do projeto.
Reportagem e redação: Isadora Bortolotto
Revisão e edição: Luciana Carvalho




