Fake News, bullying e saúde mental mobilizaram estudantes em ação do VerdadeiraMente

Equipe do projeto VerdadeiraMente e direção da EMEF Alfredo Winderlich após a atividade que marcou o início da parceria entre a escola e a UFSM para ações de promoção da saúde mental e combate à desinformação. Crédito: Divulgação / VerdadeiraMente
Uma fake news pode prejudicar a saúde de uma pessoa? O bullying começa apenas na escola ou também nas redes sociais? E como saber em quem confiar quando tantas informações circulam diariamente na internet? Essas perguntas nortearam a primeira atividade do projeto de extensão VerdadeiraMente na EMEF Alfredo Winderlich, em Santa Maria. Com estudantes do 6º ano, a equipe promoveu um encontro sobre saúde mental e desinformação, criando um espaço de diálogo para ouvir as experiências e dúvidas dos próprios alunos. A ação reuniu bolsistas de Jornalismo, Psicologia e Medicina em uma conversa sobre saúde mental, desinformação, redes sociais e bullying.
A atividade marcou o início de uma parceria entre a escola e o projeto, que busca aproximar temas científicos da realidade dos estudantes por meio de uma linguagem acessível e de espaços de escuta. Participaram da ação 24 alunos do 6º ano.
Um dos momentos da oficina foi uma dinâmica de escuta. Cada estudante recebeu dois post-its: um azul, para responder à pergunta “O que é informação?”, e um rosa, para escrever “O que é saúde mental?”. As respostas foram coladas em um painel de papel pardo e serviram de base para uma conversa conduzida pela equipe do VerdadeiraMente.
Entre as respostas, muitos alunos associaram a “saúde mental” ao cuidado com o corpo e com a mente, ao bem-estar e à importância de estar feliz. Já ao definir “informação”, destacaram que ela é uma forma de conhecer os acontecimentos do mundo, aprender coisas novas e entender o que acontece ao seu redor. A partir dessas percepções, os extensionistas ampliaram a discussão, mostrando como a qualidade das informações que consumimos pode influenciar nossa forma de pensar, agir e cuidar da própria saúde.
Para aproximar o tema dos estudantes, a equipe também apresentou exemplos que ganharam repercussão nacional, como o caso do cão Silveira, da UFSM, que viralizou após receber comentários gordofóbicos nas redes sociais, e as vaias direcionadas à influenciadora Virginia Fonseca durante um jogo da Copa do Mundo 2026. Os casos serviram para discutir os impactos do bullying, da exposição nas redes sociais e da desinformação na saúde mental, incentivando os alunos a refletirem sobre atitudes de respeito, empatia e responsabilidade no ambiente digital.
Ao final da atividade, todos os estudantes receberam brindes do projeto, entre eles adesivos e um chaveiro em formato de cubo mágico, símbolo do VerdadeiraMente.

Estudantes do 6º ano participaram de uma conversa sobre saúde mental, fake news, redes sociais e bullying, além de uma dinâmica de escuta que irá orientar as próximas ações do projeto na escola. Crédito: Isadora Bortolotto / VerdadeiraMente
Segundo a diretora da escola, Patrícia Brasil, um dos principais objetivos ao convidar o projeto foi oferecer aos estudantes a oportunidade de serem ouvidos e de vivenciarem experiências diferentes da rotina escolar:
“Muitas vezes eles não têm oportunidade de ter esse contato fora daqui, então trazer pessoas que compartilhem novos conhecimentos e informações faz toda a diferença”
A diretora explica que a escola também identificou a necessidade de discutir o uso das redes sociais e a circulação de informações falsas entre os jovens. “Hoje o contato deles acontece muito pelo WhatsApp, pelo Instagram. A gente quer mostrar que essas ferramentas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal, para que eles evitem situações que possam prejudicar outras pessoas ou até eles mesmos”, conta.
Outro ponto destacado por Patrícia é a dificuldade que muitos estudantes ainda enfrentam para lidar com conflitos no ambiente escolar. “Eles têm dificuldade de dialogar, de dizer quando alguma coisa incomoda. Muitas vezes os conflitos acabam sendo resolvidos por meio de ofensas ou até de agressões verbais e físicas. A gente vem trabalhando para evitar que isso aconteça”, diz.
Para a direção da escola, a expectativa é que a atividade seja apenas o começo de um trabalho contínuo de educação, escuta e protagonismo estudantil. “A gente criou uma expectativa muito grande desde o primeiro encontro. Conhecendo a turma, acreditamos que muitos frutos vão surgir. Eles são muito produtivos, e esperamos que essa parceria desperte iniciativas que partam deles próprios. Acho que ainda vêm coisas muito boas pela frente”, finaliza
Para a bolsista de psicologia do projeto VerdadeiraMente, Maria Antônia Branco, a atividade reforçou a importância de levar o debate sobre saúde mental para dentro das escolas, aproximando os estudantes de informações confiáveis e criando espaços de diálogo. “Participar dessa construção junto com os alunos me fez perceber que a escola é um espaço fundamental para a gente refletir sobre temas como a saúde mental e os impactos da desinformação nesse cuidado. Essa experiência mostrou como é importante a gente criar momentos de escuta dentro da comunidade escolar”, destaca.
As respostas coletadas durante a dinâmica de escuta servirão como base para o planejamento das próximas ações do VerdadeiraMente na escola. A equipe pretende retornar à EMEF Alfredo Winderlich em agosto, após o período de férias de inverno, para dar continuidade às atividades. Entre as propostas estão rodas de conversa e novas dinâmicas conduzidas em conjunto com profissionais da área da saúde mental, aprofundando temas que despertaram o interesse dos estudantes durante o primeiro encontro e fortalecendo o espaço de diálogo, acolhimento e promoção da saúde no ambiente escolar.




