A psicóloga Priscila Prates conduz a conversa sobre saúde mental durante atividade promovida pelo projeto Verdadeiramente na Associação Espírita Paz, Luz e Caridade, em Santa Maria. Foto: Maria Antônia Rossato

Ansiedade, depressão, espiritualidade e a importância de buscar ajuda profissional foram alguns dos temas discutidos durante uma atividade promovida pelo Projeto Verdadeiramente na Associação Espírita Paz, Luz e Caridade em Santa Maria. O encontro buscou combater a desinformação e os preconceitos relacionados ao sofrimento mental, mostrando que fé e cuidado em saúde podem caminhar juntos. 

O encontro, realizado no dia 20 de junho, foi conduzido pela bolsista do projeto e acadêmica do curso de Psicologia, Maria Antônia Rossato, acompanhada da psicóloga e consultora do projeto, Priscila Prates, e reuniu integrantes da comunidade espírita em um espaço de diálogo, acolhimento e troca de experiências.

Durante a atividade, foram discutidos mitos ainda presentes na sociedade, como a ideia de que a depressão seria resultado de falta de fé ou que a oração poderia substituir o acompanhamento psicológico.

“O principal objetivo foi promover uma reflexão sobre saúde mental, desconstruindo preconceitos frequentemente associados ao sofrimento psíquico e mostrando que fé, espiritualidade e cuidados profissionais podem caminhar juntos.” afirma Maria Antônia.

Quando procurar ajuda profissional?

A principal dúvida apresentada pelos participantes foi sobre quando procurar ajuda profissional. 

A psicóloga Priscila Prates aponta que um dos principais sinais  é quando a pessoa percebe que seu sofrimento está causando prejuízos em alguma área da vida, como no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos, na vida familiar ou no autocuidado. “Sintomas como tristeza, ansiedade, irritabilidade, estresse intenso, alterações no sono ou no apetite e a perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas merecem atenção, especialmente quando persistem e dificultam a rotina.” 

Priscila lembra que não é preciso esperar que o sofrimento se torne intenso. O acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico também tem um papel preventivo e estratégico para lidar com as dificuldades, fortalecer a saúde mental e promover mais qualidade de vida.

Sobre a atividade, a profissional diz que se surpreendeu com a recepção positiva dos participantes: “A experiência foi bem legal e importante. Inicialmente, achei que poderíamos ter algumas resistências, pois sempre existiu essa questão de escolher entre a espiritualidade e a ciência. Ao contrário, houve participação das pessoas, que tiraram dúvidas sobre alguns diagnósticos e entenderam que, mesmo frequentando a casa espírita, precisam buscar seus profissionais de referência em saúde, como médicos e psicólogos.”

Priscila ainda ressaltou que a roda de conversa ultrapassou o tempo inicialmente previsto, demonstrando o interesse da comunidade em discutir o tema.

Para Maria Antônia, iniciativas como essa são importantes para fortalecer o acolhimento dentro das comunidades. “Esses espaços são fundamentais porque ajudam a informar, acolher e reduzir o isolamento de pessoas que enfrentam sofrimento emocional. Além disso, permitem que comunidades religiosas se tornem ambientes mais preparados para oferecer apoio sem julgamentos, reconhecendo a importância tanto da espiritualidade quanto dos cuidados em saúde mental.”

Além dos benefícios para a comunidade, a experiência também trouxe aprendizados para a equipe do Verdadeiramente, especialmente em relação à importância da escuta acolhedora, do uso de uma linguagem acessível e do respeito às crenças de cada pessoa.

A atividade integra a proposta do Verdadeiramente de levar informação baseada em evidências para diferentes espaços da comunidade, aproximando conhecimento científico, acolhimento e diálogo. Depois das escolas, unidades de saúde e grupos comunitários, o projeto amplia sua atuação junto a instituições religiosas, fortalecendo redes locais de apoio e combate à desinformação.